Para falar com Deus não se necessita de intérpretes e tradutores. Isto é violação de domicílio espiritual. O indivíduo consciente rebela-se a esta falta de respeito ao seu direito de pensar segundo a sua consciência e conhecimento, tanto mais que semelhante invasão autoritária se faz em nome de Deus.
Em nossos livros oferecemos o conhecimento para que o indivíduo pense e compreenda por si mesmo, e forme uma consciência própria para sua vantagem e não a serviço dos interesses de um grupo. Sem nenhuma imposição nem obrigação de crer, ele aceitará livremente, apenas se quiser, porque compreendeu e está convencido. Não pedimos fé, nem apresentamos mistérios, nem sequer um alto nível teológico. Explicamos tudo claramente para que cada um veja e julgue por si próprio. O jogo medieval da obediência baseada no princípio da autoridade, não impressiona mais. Hoje, à adesão não se chega por sugestão ou obrigação, mas por demonstração e convicção. Perante à não solicitada intromissão de terceiros na sua consciência, o indivíduo, por direito de legítima defesa, protege-se, como em pleno direito protege a sua casa e haveres contra qualquer invasor, até mesmo com maior direito porque a casa do espírito vale muito mais. Deve-se respeitar a propriedade individual e não há razões históricas ou teológicas que possam autorizar a violá-la. E, no entanto, estas violações por parte de quem possuía a autoridade, foram realizadas até ontem - a autoridade, uma vez reconhecida, porque é a mais forte, pode fazer e desfazer a sua verdade como melhor lhe convém. Mas isso pode acontecer na mente humana, não porém nas leis da vida, em virtude das quais cada erro não se apaga gratuitamente, mas ao contrário, tem de suportar as suas conseqüências.
Encontramo-nos todos numa gravíssima hora histórica de grandes decisões e transformações. Já não serve o velho e cômodo método de esperar que a autoridade espiritual decida, para descarregar sobre ela as responsabilidades que nos pertencem. O indivíduo deve chamá-las a si, colocando-se de olhos abertos e ânimo sincero com os seus problemas, perante as honestas e sábias leis da vida. Nestes livros procuramos iluminá-los imparcialmente para que ele encontre, por si próprio, o seu caminho. Mas deve ser ele a pensar, a compreender, a decidir. Não buscamos obediência, senão compreensão. Queremos ajudar, mas a vida exige que tudo seja ganho com o próprio esforço. Ela hoje chegou a uma curva do seu caminho, depois da qual será diferente e, por isso, exige métodos diversos. É para este novo trabalho que nestes livros procuramos preparar o leitor para enfrentar o futuro.
Só com essa visão realista, que abarca todos os aspectos da vida, incluindo os espirituais, se pode convencer as novas gerações. Com esta finalidade, de bem, usamos e oferecemos tal visão, apresentando-a numa forma positiva, tal como hoje se exige para que uma idéia possa ser aceita.

XVII Congresso Nacional Pietro Ubaldi - Cuiabá (MT)
































